Falar em Tecnologias Sociais é uma das formas de enfrentar o debate sobre o uso e a função social da produção, apropriação e destinação do universo de ferramentas tecnológicas que o homem vem criando e inventando desde tempos imemoriais.

São dois termos que se articulam de formas múltiplas, podendo-se argumentar inclusive que, sob certo ponto de vista, não cabe esta adjetivação, pois toda tecnologia é social, ou que todo social é tecnológico. E que a tecnologia é patrimônio dos povos que a geraram socialmente, as tecnologias pertencem a conjunções de tempos e lugares e circunstâncias sociais, jamais sendo o resultado de uma única pessoa, já que necessariamente transitamos por uma história que nos ultrapassa em todas as direções, daí, não se poder tomar a tecnologia como propriedade particular. O socius produz tecnologias e também é produzido por elas, em mecanismos perpetuamente retroalimentares.

Mas, mesmo assim, a idéia de Tecnologias Sociais nos parece bastante útil por estar intimamente ligada a uma tentativa de contrapor, de forma simplificada e compreensível, dois pólos tecnológicos.

Temos, de um lado, as tecnologias que estão a serviço da emancipação individual e coletiva, da propagação dos saberes como patrimônio da humanidade; compromissadas com sua transformação em herança cultural e socioambiental para as futuras gerações, sendo chamadas por isto de Tecnologias Sociais.

De outro lado, temos o controle tecnológico avançando sobre a vida, gerando sua submissão, sua adulteração, sua poluição, sua concentração centralizadora, produtora de mais e mais periferias. Então, temos as Tecnologias Sociais que aumentam a potência da vida e de sua força criadora, e as tecnologias que, ao contrário, estão empobrecendo os recursos e a diversidade da vida, chegando a colocar em risco sua própria viabilidade.

A PRIMO aposta nas Tecnologias Sociais como idéia força propulsora em seus projetos integrados: na produção do cuidado com plantas medicinais, na agroecologia, na bioarquitetura e na soberania alimentar.

janeiro de 2011