Multitude ou multidão é um conceito da ciência política e do Direito constitucional que representa a multiplicidade social de sujeitos, capaz de atuar em comum como agente de produção biopolítica dentro do sistema político.

Usado pela primeira vez por Maquiavel, a noção de multidão foi promovida fundamentalmente por Spinoza, diferenciando-se da noção de povo, de Hobbes, dominante até os nosso dias.

A diferença básica é que, em Hobbes, a concepção do conjunto de cidadãos é simplificada como uma unidade, um corpo único com vontade única ou que reúna os requisitos necessários para ser considerada como povo, enquanto que o conceito de multidão retoma essa unidade, conservando sua natureza múltipla.

Na segunda metade do século XX, o conceito foi recuperado dentro de variantes do socialismo libertário e popularizado recentemente por pensadores dentro do chamado operaísmo italiano, de Mario Tronti, Antonio Negri e Raniero Panzieri.

Nos anos 2000, o conceito voltou à ordem do dia, designando o ente político que se opõe ao "Império" - uma nova lógica e estrutura de comando global, descentralizada, conforme descrito pelos filósofos políticos Michael Hardt e Toni Negri, em seus livros Império (2000) e Multidão: Guerra e Democracia na era do Império (2004). A multidão, para esses filósofos, viria a substituir o conceito de proletariado como categoria de análise. Devido à atual hegemonia do trabalho imaterial, qualquer pessoa - seja ela uma criança, um aposentado, um artista de rua ou mesmo indigente - pode pertencer à nova "classe trabalhadora".

Também têm utilizado o termo os pensadores associados ao autonomismo marxista, incluindo Sylvère Lotringer, Paolo Virno e outros pensadores conectados com a revista epônima Multitudes.

Referência:Gramática de la multitud: para un análisis de las formas de vida contemporáneas, por Paolo Virno.2001.