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Barragem de mineradora fica na BR-356, no sentido Ouro Preto; trabalhadores realizavam manutenção no local; várias viaturas do Corpo de Bombeiros prestam socorro

O Tempo

Em entrevista ao canal Globo News, o secretário municipal de Meio Ambiente de Itabirito, Antônio Marcos Generoso, informou que um dos corpos foi retirado do local e as outras duas vítimas fatais são as que ainda são consideradas desaparecidas pelos Bombeiros. "A causa do rompimento é uma preocupação posterior. Nossa preocupação agora são as vítimas e amenizar os impactos para a cidade". Ainda segundo ele, empresas do entorno estão auxiliando o resgate no local.

De acordo com Corpo de Bombeiros de Itabirito, os operários realizavam a manutenção no talude de uma barragem de rejeitos (resíduos sólidos presentes em minérios, mas que estão com as possibilidades de reaproveitamento esgotadas), que estava desativada, quando ela teria rompido, por volta das 8h. Dois caminhões, uma retroescavadeira e um Fiat Uno foram atingidos pelo deslizamento de terra e os motoristas ficaram sob os escombros, desaparecidos. Geraldo Matozinhos Moreira, de 44 anos, da cidade de Moeda, foi socorrido, com fratura no braço, para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, e outros dois trabalhadores saíram ilesos. O topógrafo Reinaldo da Costa Melo, de 68 anos, e Cristiano Fernandes Silva, de 32 anos, que é de Moeda, foram encontrados sem vida. Adilson Aparecido Batista, 44, ainda é procurado e seria a terceira vítima. Ele é morador de Itabirito.

Segundo o bombeiro municipal Clébio Araújo, alguns operários que presenciaram o acidente tentaram ajudar os colegas. Muitos ficaram em choque com o que presenciaram. A mineradora ficou tomada por lama após o acidente.

Viaturas dos Bombeiros de Itabirito, Ouro Preto e Belo Horizonte, dois helicópteros e 21 militares estão no local acidente, que fica na BR-356, no KM 41, no sentido Ouro Preto. A mineradora também é acessado pela BR-040.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semad) informou que a Herculano Mineração Ltda possui licença ambiental e, atualmente, está em processo de revalidação de Licença de Operação.

Ainda disse que técnicos da superintendência de Controle e Emergência Ambiental da Semad e da Fundação Estadual de Meio Ambiente estão no local avaliando a extensão dos danos ambientais. O secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alceu Torres Marques, sobrevoou o local do acidente na manhã desta quarta e afirmou que as equipes do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) também irão avaliar se houve alguma ação ou omissão que teria violado as regras administrativas acerca da regularização ambiental ou extrapolado as autorizações concedidas.

A assessoria da Semad ressaltou também que, de acordo com a legislação ambiental, as atividades dos órgãos com atribuições de fiscalização não eximem os proprietários de empreendimentos da total responsabilidade pela segurança das barragens e reservatórios existentes nos seus empreendimentos, bem como das consequências pelo seu mau funcionamento, que poderá ensejar responsabilidade civil, criminal e administrativa.

"A Semad informa, ainda, que a última auditoria na Barragem B1, estrutura que rompeu, foi realizada no dia 27 de setembro de 2013. Na oportunidade, o auditor garantiu a estabilidade da estrutura. As auditorias nas barragens são realizadas por empresas independentes e observam as condições físicas e hidráulicas para operação das estruturas. No caso das barragens da Classe II, como a B1, a auditoria é realizada a cada dois anos".

Por meio de nota, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas do Estado de Minas Gerais (FTIEMG) disse que o Ministério do Trabalho irá fazer uma fiscalização no local do acidente nesta quinta-feira (11).

A reportagem de O TEMPO tentou contato com a Herculano Mineração durante toda a manhã, sem sucesso. No início da tarde, a empresa lamentou o acidente e disse que seus técnicos e autoridades competentes ainda apuram as causas do acidente. "A empresa está prestando todo suporte as famílias dos envolvidos. Todas as medidas estão sendo somadas no sentido de garantir a integridade de seus funcionários e minimizar os prejuízos para a comunidade local e ao meio ambiente", garantiu o texto enviado à imprensa.

 Consequências

Pelo menos 150 famílias de um condomínio de casas próximo a cerca de cinco quilômetros do terreno da mineradora estão sem água e chegaram a ficar sem energia elétrica devido ao acidente. Segundo o gestor do condomínio Vilabella, Ladislau Oliveira, o rompimento da barragem provocou uma tromba d'água e atingiu o ribeirão da Silva, danificando a estação de captação de água do condomínio.

Aproximadamente dois quilômetros do ribeirão passam dentro do residencial, mas a água não chegou a atingir os imóveis, já que o nível das casas é mais alto. O condomínio contratou caminhões-pipa, com 7.000 a 10 mil litros de água cada, para abastecer o reservatório do local. Segundo Oliveira, um representante da Herculano Mineração, informou que empresa irá custear os gastos do condomínio.

O local ficou sem luz elétrica das 8h às 10h20, já que uma estação da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi danificada com o acidente.

Um segurança do residencial contou que não foi possível ouvir o barulho causado pelo acidente e que perceberam que algo estava errado devido a mudança de cenário da região montanhosa, com o surgimento de uma cratera.

Denúncia

Os moradores da cidade reclamam da falta de informações da empresa em relação aos trabalhadores. Em contato com a reportagem, os moradores informaram que a rotina da empresa começa bem cedo e que, provavelmente, há funcionários presos em uma mina, que funcionaria no local, devido ao acidente. Ainda não há a confirmação de atividade subterrânea na área.

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Fernanda Viegas
Jhonny Cazetta/Luciene Câmara

http://www.otempo.com.br/cidades/rompimento-de-barragem-deixa-tr%C3%AAs-oper%C3%A1rios-mortos-e-um-ferido-1.913453