Renata Miranda - Hoje em Dia

Extração predatória de calcário em Pains afetou o abastecimento de água da cidade do Centro-OesteJUIZ DE FORA – A falta de recursos está acabando com a biodiversidade de Minas. Essa é a conclusão de ambientalistas e, principalmente, dos municípios que enfrentam dificuldades financeiras para manter o pouco que resta da fauna, flora e relevo do Estado em seus territórios.

Na tentativa de amenizar o problema, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) promete elaborar, até novembro, um Plano Estadual de Proteção à Biodiversidade. O documento é um conjunto de ações que deverão ser aplicadas até 2030 para conter o avanço da degradação.

Estragos que Pains (Centro-Oeste de Minas) conhece desde o início da extração de calcário. Os impactos do extrativismo minerário podem ser percebidos na retirada de vegetação e danos causados ao lençol freático e às nascentes da região.

Explosivos

Conforme a prefeitura, isso aconteceu porque as mineradoras utilizavam explosivos para remover rochas. As detonações abalaram o solo e impactaram diretamente os lençóis. Além disso, as pedras eram depositadas irregularmente, de tal forma que o fornecimento de água para os 8 mil habitantes ficou comprometido.

Em 2007, uma análise do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostrou a água de Pains imprópria para o consumo por conter metais pesados, como alumínio.

De lá para cá, pouca coisa mudou. Conforme o secretário Municipal de Meio Ambiente, Mário Oliveira, o município assinou um convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a construção de uma estação de tratamento da água. O projeto custaria R$ 2 milhões, mas não tem data para ser executado.

Ações mitigatórias

“O problema de abastecimento seria resolvido com a estação, porque teríamos fornecimento a partir do Rio São Miguel. Aqui não há suficiência de recursos para que tudo seja acompanhado como deveria ser, mas estamos fazendo o que está ao nosso alcance”, disse Oliveira, destacando que o município faz ações mitigatórias, como o plantio de espécies nativas, implantação de coleta seletiva e de projetos de educação ambiental na rede de ensino.

Desde setembro de 2012, nove regiões de Minas discutem as prioridades para proteção da biodiversidade. A última foi em 8 de maio, em Juiz de Fora. Cerca de 70 representantes de sindicatos, universidades e ambientalistas da Zona da Mata elaboraram um documento com os principais problemas da região e propostas de ação para o Plano Estadual de Proteção à Biodiversidade.

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