Assista no programa  Plano Aberto, produzido pela TV UFOP, matéria sobre a Agrofarmácia Viva Comunitária, ação conjunta entre a PRIMO e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).  O projeto da Agrofarmácia inclui a produção de alimentos, hortaliças sem agrotóxicos, ervas e temperos, consolidando-se como espaço coletivo para a produção de saúde na comunidade de Pasárgada e região.

A matéria começa no tempo 5' 41" do vídeo.

A degradação ambiental do Jardim Canadá já macula a beleza de Fechos, onde a empresa capta água para a Zona Sul de BH

Fernanda Mann - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.


Foto: Fernanda Mann

A natureza com paisagens dignas dos traços de Debret e Rugendas na Estação Ecológica de Fechos, administrada pela Copasa no município de Nova Lima é um paraíso que fornece 200 litros de água por segundo à população dos bairros da Zona Sul de Belo Horizonte. Mas não tem recebido, em troca dos 1.074 hectares de biodiversidade e recursos hídricos, o respeito de seus vizinhos que  exploram a terra ou constroem imóveis em seus limites.

Jornal a Notícia - 18 a 24 de agosto 2011 - Pág. 7

Uma semana após a localização de um bota-fora de mais de 100 pneus velhos, à margem da BR 040, um incêndio destrói 10% da reserva, ironicamente no dia do lançamento de uma campanha da ONG Primatas “Fechos, eu cuido!”

A situação da reserva de Fechos, em Nova Lima, está cada dia pior. No início do mês, uma operação conjunta do Corpo de Bombeiros e do Instituto Estadual de Floresta (IEF), auxiliados pela ONG Primatas da Montanha e do Condomínio Vale do Sol, localizou um bota fora de pneus velhos à margem da BR 040. Parte do estoque de pneus de carretas estava enterrada no chão, devido a ação do tempo, e não se sabe até o momento a autoria do crime ambiental. O bota-fora fica perto do Posto Chefão e o caso está sendo investigado pelas autoridades ambientais. Os bombeiros chegaram ao local através de denúncias feitas pelos ambientalistas e moradores deste condomínio. Em razão do tamanho dos pneus e da grande quantidade encontrada, será necessária a utilização de um guincho para retirá-los do local. Uma s ema na após esta ocorrência, um incêndio destruiu 10% dos 603 hectares de Fechos. O fogo começou numa reserva da Vale e se alastrou para a Estação Ecológi c a . As causas são desconhecidas. O curioso é que o incêndio ocorreu exatamente no dia em que a ONG lançou o movimento “Fechos, eu cuido!”, reunindo dezenas de moradores da região em defesa da EEF.

DEMORA NO SOCORRO

Acionados por moradores da comunidade de Pasárgada, às 18:30hs de sábado(13/9), os bombeiros chegaram ao local da queimada no dia seguinte, 13 horas após o alerta da população.

Enquanto agua rdavam a presença dos Bombeiros e as chamas se alastravam rapidamente pela Estação, moradores do bairro decidiram agir para conter o avanço do fogo. “Quando vimos a gravidade da situação, pegamos três abafadores que estavam disponíveis na comunidade, montamos uma brigada de emergência e fomos conter o avanço das chamas. Éramos apenas quatro pessoas e conseguimos controlar uma área de aproximadamente cinco quilômetros de incêndio. Este episódio demonstra a necessidade de formarmos uma brigada mais estruturada em Fechos”, disse o integrante da PRIMO, Rodrigo Quintela. A maior queimada a atingir a Estação Ecológica nos últimos 20 anos, potencializa a necessidade de se por em prática uma das propostas defendidas pela PRIMO para reforçar o cuidado com a biodiversidade presente na região, que é a expansão da Estação Ecológica de Fechos.

AMEAÇAS

Abrigo de espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção e de nascentes de águas que abastecem parte da população de Belo Horizonte, Fechos é constantemente ameaçada pelo avanço da atividade mineraria e do adensamento urbano no seu entorno.
“Esse incêndio começou na área da Vale, considerada zona de amortecimento da E E F. Expandindo a Estação Ecológica, reduziremos a chance disso se repetir. A expansão de Fechos possibilita a implantação de uma acero adequado e impede a circulação de veículos e pessoas que hoje transitam na área”, esclarece o morador de Pasárgada e integrante da PRIMO, Ricardo Moebus.

Daniela Galvão

O Estado de Minas – 15/08/2011

Um incêndio consumiu 60 dos 602 hectares de mata nativa da estação ecológica de Nova Lima, Região Metropolitana de BH. O fogo começou no fim da tarde de sábado e só foi controlado ontem à noite. As chamas levaram medo a moradores do Condomínio Pasárgada, vizinho à área verde. Uma brigada do Corpo de Bombeiros mantém vigília para evitar surgimento de outros focos na vegetação seca.

Queimada 

Fogo consome 60 hectares da mata da estação ecológica em Nova Lima e ameaça casas de condomínio. Incêndio começou na tarde de sábado, mas bombeiros só chegaram ontem.

Fechos vira cinzas

Um incêndio de grandes proporções tomou conta ontem da mata da Estação Ecológica de Fechos, em Nova Lima Região Metropolitana de Belo Horizonte, e ameaçou varias casas do Condomínio Pasárgada, que ficam perto do local Pelo menos 60 hectares foram consumidos pelo fogo, que teve inicio por volta das 17h de sábado, mesmo dia que ocorreu uma mobilização pela preservação deste espaço, que conta com 602 hectares pertencentes a Area de Proteção Ambiental (APA) Sul.

As chamas começaram em um terreno da Vale e durante a madrugada, se alastrou. O Corpo de Bombeiros foi acionado pouco depois das 18h30 de sábado, mas as equipes só chegaram à região as 8h de ontem. Enquanto isso, um grupo de brigadistas e seis moradores trabalhoram das 22h de sábado ás 2h de domingo para evitar preiuizos maiores.

A coordenadora da organização não governamental(ONG) Primo-Primatas da Montanha e moradora do Pasargada há quatro anos Isabel Stewart, de 37 anos. afirma que os bombeiros informaram que há um protocolo que os impede de atuar em incêndios á noite 'Mas a ação dos brigadistas e demais moradores mostrou que era possível fazer algo Tanto que cinco quilômetros do incêndio foram controlados. É uma tristeza, mas reforça a importância da campanha para conservar a Estação Ecológica dc Fechos, que é muito valiosa"

Conforme o comandante da operação do Corpo de Bom beiros tenente Christian Coelho Cordeiro foram usados dois helicópteros, seis viaturas e um caminháo-pipa para con ter o fogo Ele explica aue as causas do incêndio ainda são desconhecidas, porém, não está descartada a hipótese de ele ter sido criminoso De acordo com o tenente Cordeiro, a cor poraçáo foi acionada ãs 18h48 c a ocorrência não entrou como prioridade por um conjunto dc fatores.

"Era noite, o terreno é acidentado, o que coloca os homens em risco, e não havia nenhuma residência em perigo. Além disso somente das 13h às 13h55 de sábado

atendemos a 23 ocorrências de incêndio, sendo cinco em áreas de preservação. Já das 18h as 19h, quando recebemos esse chamado, registramos outros 21 incêndios em vegetação", esclarece. Os focos principais das chamas na mata de Fechos que representavam perigo ás casas do Pasárgada foram controlados no inicio da noite de ontem. O fogo baixo e rasteiro ficou a 1 mil metros de distância dos imóveis. Como o Incêndio não foi totalmente debelado ontem, uma guarnição dos bombeiros ficou de plantão no local, para o caso de alguma emergencia.

Prevenção

Bastante emocionada, a historiadora e moradora do condomínio há quatro anos Rose Marie Guimarães Cardoso, ressalta que tudo é uma questão de prevenção "Fiquei a noite inteira vigiando esse incêndio e trabalhando para que ele não avançasse, As 5h, tudo parecia estar tranquilo, mas o fogo voltou e, em questão de minutos, muita coisa |á estava destruída. Somos quase 200 famílias aqui e todas as casas correm perigo. Lutamos para preservar a diversidade daqui', ressalta Para o psicólogo Jorge Vasconcelos de Brito, de 68, é muito triste ver os animais desorientados com o fogo Ele conta que mora no Pasargada há 20 anos e está assustado com a destruição 'Nunca tivemos uma situação como esta", lamenta.

Hoje em dia – 14/08/2011

A Campanha "Feches, eu cuido!" foi lançada na manha de ontem com atividades lúdicas, na Praca do Tempo, no Vale do Sol, em Nova Lima. O objetivo é chamar a atenção para a necessidade de cuidados na Estação Ecológica dos Fechos 'O local é área de máxima proteção ambiental, responsavel pelo abastecimento de água da região Sul de BH. A Organrzação não Governamental Primates da Montanha (Primo) está à frente da campanha, que denuncia a sujeira na mata e a intensificação da atividade minerária nas proximidades.

 

Jefferson da Fonseca Coutinho

O Estado de Minas – 14/08/2011

Moradores do Vale do Sol se reúnem pela preservação da Estação Ecológica de Fechos, em Nova Lima, onde encontraram, recentemente, centenas de carcaças de pneus de carretas

O Vale do Sol reclama suas montanhas. Cerca de 100 moradores de várias gerações se reuniram na manhã de ontem, na Praça do Tempo, pela preservação da natureza. Especialmente, para chamar a atenção para a Estação Ecológica de Fechos, em Nova Lima. São 602 hectares que pertencem à Área de Proteção Ambiental (APA) Sul. A mobilização, promovida pela organização não governamental (ONG) Primo - Primatas da Montanha - e pela Associação dos Moradores do Vale do Sol (Aprevs), envolveu representantes de bairros e condomínios vizinhos ao Parque Estadual Serra do Rola Moça, além do Instituto Estadual de Florestas (IEF).

Recentemente, moradores do Bairro Vale do Sol ficaram estarrecidos com a descoberta de mais de uma centena de carcacas de pneus de carretas numa brecha de difícil acesso mata adentro, à margem da BR-040, no Bairro Jardim Canadá. Daí, a urgência da manifestação.

O Estado de Minas esteve no local e constatou dezenas de pneus amontoados num triste rasgo provocado pela predatória ação humana. O lugar, conhecido do IEF como bota-fora de galpões e borracharias no passado, é território assustador, com diversos pontos de poças de água parada, que favorecem a reprodução do mosquito da dengue. O tempo de decomposição de um pneu é de aproximadamente 600 anos. Camila Alterthum, presidente da Aprevs, com o apoio de grupo aliado, há poucos dias protocolou pedido de ajuda à Prefeitura de Nova Lima. Camila liderou movimento também junto ao IEF para a retirada dos pneus. O Corpo de Bombeiros foi acionado e não deu conta de realizar o trabalho. Desde então, IEF, ONG Primo e a Aprevs somam esforços para a remoção do problema.

Camila recorre à data de hoje, Dia Nacional de Controle da Poluição, para aumentar o alcance de seu apelo por maiores cuidados com Fechos. "Nosso intuito com esta campanha é fortalecer uma rede de cooperação, envolvendo pessoas, órgãos públicos e empresas para garantir a integridade deste lugar", diz. Para a professora, a questão vai muito além do amontoado de lixo à beira da BR-040. "I uma iniciativa que se desdobra em muitas outras: nas ações de cuidado de cada um; no consumo nosso de todo dia; no controle do ritmo de expansão da mineração; em novas formas de plantar e de usar as plantas para a saúde e, principalmente, na minimização dos impactos do crescimento urbano", pontua Camila, que é mãe dos pequenos Antônio e Lina.

Na Praça do Tempo, houve também apresentação do trio de peso da cena mineira: Ângela Mourão, Gabriela Cristofaro e Tarcísio Ramos, com a performance Dança para a árvore. Durante o encontro, houve também distribuição de mudas de árvores. Ao fim da manhã, simbolicamente, por meio de esteira de plástico azul, a plateia foi convidada a virar rio e banhar-se de consciência pelo futuro do planeta.

O que diz o IEF

Lauro Tuler, subgerente do Parque Estadual Serra do Rola Moça e Fechos; acredita que o problema dos pneus no Jardim Canadá vai ser resolvido - embora ainda não saiba como o lixo vai ser retirado de lá -e afirma que o IEF está empenhado em fazer todo o possível para viabilizar isso. Lauro explica que, no passado, antes da criacao das unidades Rola Moça e Fechos, em 1994, havia vários bota-foras em Nova Lima.