Mesmo restrita à visitação pública por ser tratar de uma Unidade de Conservação, ela tem seu principal curso d´água em estado vergonhoso por conta da poluição de seus mananciais outrora cristalinos. A maior fonte de contaminação são os esgotos sem controle sanitário advindos das moradias do bairro Jardim Canadá. Despejado clandestinamente na redes coletoras de águas pluviais, o esgoto sem tratamento passa por baixo do asfalto da BR-040, nas proximidades do bairro, na saída para o Rio de Janeiro, e vai parar dentro dos limites da estação ecológica. Pior: à montante da barragem de captação da Copasa.

Essa descoberta, acompanhada pela Revista ECOLÓGICO, foi feita pelos pesquisadores da UFMG, Flávio do Carmo e Felipe do Carmo e testemunhada ainda por ambientalistas da Ong Primo-Primatas da Montanha. Na busca por uma caverna para estudo, eles encontraram uma galeria de água de chuva totalmente tomada por esgoto, lixo, plástico, cadáveres de animais e uma triste surpresa: um depósito de pneus inservíveis.

Denúncia antiga

Os pesquisadores se revoltam ao lembrar que esse “cemitério” com dezenas de carcaças de pneus, que demoram 600 anos para se decompor e representam riscos de contaminação, além de servir de criadouro do mosquito da dengue,  vem sendo denunciado desde agosto do ano passado, principalmente pelos jornais “Estado de Minas” e “O Tempo”. E em vão, “já que a situação só piora”, lamentam.

Segundo o superintendente de produção e tratamento de água da Copasa, Délio Fonseca, essa demora na retirada do lixo e dos pneus deve-se à burocracia para a contratação de serviços externos: “Já estamos licitando uma empresa, inclusive de guindaste, para tirar os pneus”.

“Falta ainda”, ele adiantou, “a Copasa finalizar um projeto recém-iniciado em parceria com a prefeitura de Nova Lima, intitulado ‘Caça-Esgoto’, que colocará fiscais públicos para visitar todas as residências do Jardim Canadá e constatar se os esgotos são destinados de forma indevida para as redes pluviais rumo a Fechos.”

Para Délio, um dos maiores desafios da Copasa hoje é fazer com que as pessoas entendam a relação causa-efeito na questão ambiental, o que será melhor explicado à população por meio de um projeto de educação ambiental a ser implantado. Muitas casas ali ainda utilizam fossa. O morador contrata um caminhão-fossa que vai lá, retira o esgoto e joga aonde? Na primeira boca de lobo que encontra: “As pessoas não têm ideia de onde a sujeira está indo”, lamentou o representante da Copasa.

FIQUE POR DENTRO

FECHOS

A  Estação Ecológica de Fechos tem várias nascentes  que formam  o córrego Tamanduá e o córrego dos Fechos. Eles desembocam no ribeirão Macacos, que, por sua vez, vai alimentar o rio das Velhas, um  importante formador da Bacia do Rio São Francisco.

A fauna tem elevado índice de diversidade.  Já foram identificadas 33 espécies de aves, sendo 6 delas ameaçadas de extinção.

Das 20 espécies de mamíferos, duas encontram-se em risco de desaparecer.