No exercício de cuidar da água e do solo, a Primo construiu banheiros secos na comunidade de Pasárgada (Nova Lima/MG) e na Amazônia. Nos dois lugares esta solução foi apresentada para a ausência prévia de banheiros.

Na Amazônia, a necessidade de construir o banheiro seco surgiu do encontro de integrantes da Primo com a Aldeia Nova Esperança por ocasião do Festival Yawa, realizado no território indígena yawanawa situado no Rio Gregório, no Vale do Juruá / Acre.



Em Pasárgada, o banheiro seco atende os moradores, visitantes e trabalhadores que freqüentam a Agrofarmácia Viva Comunitária, implantada pela  Primo em parceria com projeto de extensão (PROEX / UFOP), cultivada em um espaço antes ocupado com lixo, entulhos e restos de materiais de construção.

O banheiro seco ou bason é uma solução que não mistura as fezes com água, evitando assim a produção das chamadas águas negras, as águas servidas domésticas de mais difícil manejo, porque muito contaminadas e disseminadoras de doenças.

O primeiro princípio de funcionamento do banheiro seco é que águas e fezes não devem ser misturadas, porque esta mistura não resolve nada e só aumenta o problema do que fazer com as fezes. O sanitário tradicional, com água, só esconde o problema, que acaba sendo despejado diretamente nos cursos d’água, através do esgotamento sanitário, ou termina causando a contaminação do solo e das águas superficiais e profundas, quanto despejado nas fossas.


 

 

O segundo princípio de funcionamento do banheiro seco é que em vez de molhar é preciso secar, desidratar as fezes, evitando sua mistura com urina, cobrindo com serragem e armazenando em um coletor exposto ao sol. Este coletor deve ter uma chapa superior de ferro, ou ser todo feito de um tambor de ferro, para que possa esquentar bem com a luz do sol.


 

 

Para aumentar a eficiência da luz solar o tambor coletor deve ser posicionado para o norte, recebendo um maior tempo de luz ao longo do dia. Ao mesmo tempo precisa estar protegido da chuva para continuar seco, podendo ser pintado de preto para esquentar mais ainda. Desta forma, o coletor pode atingir uma temperatura acima de 50°C, para matar grande parte dos germes, desinfetando as fezes. Este é o terceiro princípio de funcionamento do banheiro seco, a energia solar usada gerando calor para desinfecção e impedir a presença de moscas.


 

 

Depois de cheio, o tambor deve ser trocado, fechado e deixado para secar mais ainda no sol por uns 04 meses, para terminar de transformar as fezes misturadas com serragem em adubo. Este é o quarto princípio de funcionamento do banheiro seco, as fezes humanas, desidratadas e desinfetadas pelo sol, e misturadas com serragem, podem virar adubo, o húmus sapiens.


 

 

O tambor quando está em uso, ou depois de fechado, deve sempre ter uma chaminé para enviar o mau cheiro para cima através do ar quente que sobe do interior do tambor. Este é o quinto princípio de funcionamento do banheiro seco, utilizando a energia solar, o ar frio entra por baixo e o ar quente sobe pela chaminé e sai com o mau cheiro bem lá encima, como acontece com a fumaça em um fogão a lenha.


Desta forma, sendo bem usado, o banheiro seco consegue lidar com as fezes sem mau cheiro e sem moscas, sem contaminar as águas e o solo, e gerando, em vez de contaminação, adubo no final do processo.

A proposta de banheiro seco que vem sendo praticada pela Primo procura reutilizar o máximo de material de obra da própria comunidade beneficiada por esta tecnologia social. E quando não é possível reutilizar, prioriza-se madeira reflorestada e material reciclado.

O banheiro desenvolvido pelos Primatas da Montanha adaptou o modelo dos Institutos de Permacultura, como o IPEC, substituindo o coletor de alvenaria por um tambor de ferro, buscando maior simplicidade na fabricação e no manejo do adubo depois de pronto.

 

    
Em Pasárgada, o banheiro seco utilizou ainda, para sua fabricação, técnica construtiva tradicional de produção de piso a partir de terra de cupim peneirada, em uma parte do assoalho, e em outra parte reaproveitou cacos de mármore de entulho de construções locais. Este banheiro seco em Pásargada foi construído, ainda, com estrutura de madeira reflorestada (eucalipto), reaproveitamento de portas e telhados usados, e paredes de placas de tubos de pasta de dente reciclados.  
    

Já o banheiro seco da Amazônia foi todo feito com material reaproveitado da própria Aldeia Nova Esperança.

 

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